Histórias contadas. Histórias cantadas. Ditas, lidas, ouvidas, entoadas, imaginadas, vividas, experimentadas, partilhadas. Histórias que se transmutam na poética da música, da voz, do canto, do conto.

O que você escreveria a este tempo? Que histórias contaria? Falaria de ti? Do mundo? Faria perguntas? Partilharia desejos, sonhos, poemas, lutas cotidianas?

Estas andanças me anunciam aspectos deste tempo, um tempo alargado…Pode ser um século, um dia, algumas horas. Me anunciam como algumas potências nos escapam debaixo de tantas “faltas” que insistem em inundar os nossos olhos.

Anunciar e denunciar caminham lado a lado. Não são prenúncios do que há por vir… isso não sabemos! É uma partilha daquilo que atravessa um corpo. Este corpo que vos fala.

Um corpo que também captura pedaços daquilo que vê, que sente o cheiro, que ouve, daquilo que faz engolir seco, ficar embasbacado, arrepiar, ora de raiva, ora de beleza, daquilo que faz rir com os olhos, emocionar, ter um mar bravio dentro de si que transborda. Sentir-se vivo. Um apelo! Estamos vivos!

Teríamos tempo para escrever uma carta? Dessas que a gente coloca nossa própria letra, a pressão dos dedos na caneta ou no lápis que às vezes quebra a ponta, experimentando jeitos de fazer dobraduras…Passei a infância e adolescência escrevendo cartas…

Nelas cabem cheiros, objetos, imagens, desenhos, borrões, lágrimas que escorreram e marcaram o papel…As mãos trêmulas que não puderam se segurar…Sangue. Rasuras. Os erros também estão ali, estampados! Não há como esconder…São de todos nós…É do plano comum. São muitos os dias que não triunfamos. Como lidar com isso?

A mim, interessa aquilo que está entre nós… Acontecendo, desdobrando-se, revirando-se.

Cartografias-corpos-cartas que dizem de uma vida comum que busca seus próprios escapes, tem brechas, frestas, é resistente, forte, loba, passarinha. Vida comum que é mulher selvagem! Que balança… que dança…que pede passagem.